| Mensagem do Presidente Fidel Castro Ruz na mesa redonda informativa sobre as novas agressões econômicas do governo americano e a resposta cubana, realizada em 25 de outubro de 2004. "Ano do 45 Aniversário do triunfo da Revolução
No passado 10 de maio, um telex da BBC informava de uma multa aplicada pela Reserva Federal dos Estados Unidos a um banco suíço, aduzindo a suposta violação das sanções estadunidenses contra a Líbia, o Irão, a Iugoslávia e Cuba. O banco suíço era acusado de aceitar papel moeda de dólares dos Estados Unidos ou enviá-los a países que estivessem sob o regime de sanção do governo dos Estados Unidos. Uns dias depois, a agência NOTIMEX informava sobre os depoimentos do bandido Otto Reich, onde fazia referência às recentes medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, indicava que algumas estavam sendo implementadas e outras estavam em processo. Concretamente disse, em tom ameaçador: "Muitas delas requerem de estabelecimento de regulamentos e de certos aspectos burocráticos, e nesse sentido estão trabalhando os advogados e outros funcionários do governo e daqui a pouco serão implementadas muitas outras mais".
Com esse propósito malvado, o Governo dos Estados Unidos pressiona os bancos estrangeiros para que não recebam de Cuba fundos, cuja origem é absolutamente legal e honesta. Ademais, promove a publicação, na imprensa da máfia terrorista de Miami, da repugnante infâmia de que tais fundos poderiam estar inclusive relacionados com atividades que são combatidas energicamente por nosso país, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas." Prossegue a nota publicada em Granma: "Essas ações resultam mais indignas caso ter-se em conta que a única razão pela qual os turistas que visitam Cuba têm que utilizar dinheiro, é que o bloqueio ianque lhes impede utilizar cartões de créditos ou travel check emitidos por bancos ou outras entidades financeiras norte-americanas que controlam esse mercado. Além disso, só lhe foi outorgada licença a empresa norte-americana para tramitar envios de remessas a Cuba por via bancária, de tal sorte que atualmente os cubanos residentes no estrangeiro são submetidos a um verdadeiro via crucis para fazer chegar a ajuda econômica a seu familiares, que afinal estão obrigados, na maioria dos casos, a enviá-la em dinheiro. A mesma perseguição e ameaça que constantemente se mantém contra os que enviam dinheiro a seus familiares em Cuba, desde os Estados Unidos, contribui a que eles prefiram muitas vezes fazê-lo em dinheiro para não deixar marcas documentares que os submetam à perseguição das autoridades norte-americanas e às ações violentas de terroristas residentes em Miami. "Não pode ser concebida uma fórmula mais cínica e perversa —continuava a nota de Granma—: Estados Unidos com seu criminoso bloqueio obriga a que os envios de remessas e os pagamentos de visitantes estrangeiros em Cuba tenham que ser feito em dinheiro, e agora, com estúpidas pressões, tenta impedir que Cuba possa utilizar esse dinheiro para pagar por suas importações." E findava afirmando: "Todas suas armadilhas estão condenadas ao fracasso. Com a firmeza e serenidade de sempre, nosso povo heróico lutará e vencerá perante um inimigo poderoso, mas ruim e covarde, verdadeiramente desprezível por sua política de genocídio e seus métodos nazista-fascistas." Sobre essas considerações poderíamos acrescentar que no período de sete anos a que se faz alusão Cuba realizou importações por mais de $30.854 milhões de dólares, de tal maneira que os $3,9 bilhões que segundo se diz foram remetidos ao banco suíço em questão e transferidos a outros beneficiários, são aproximadamente 13 por cento do total de pagamentos realizados por Cuba nesse período para encarar o custo de suas importações, das quais uma parte substancial a constituem suas necessidades de alimentos, combustíveis, medicamentos ou matérias-primas para sua produção, outros produtos intermédios para nossas indústrias, artigos que se vendem na rede de lojas em divisas, etc.
"Estados Unidos deve investigar a origem e o destino de $3,9 bilhões aproximadamente que o governo de Cuba ‘lavou’ através de um programa internacional da Reserva Federal, declararam ontem os congressistas da Flórida Ros-Lehtinen e Lincoln Diaz-Balart em cartas enviadas à Reserva Federal e à Comissão de Finanças da Câmara."
Num comunicado de imprensa de 22 de junho, Ileana Ros-Lehtinen, "A loba feroz", com sua acostumada histeria, dizia: "Estou comovida com que um banco ao qual lhe foi dada a responsabilidade crucial de distribuir a nova moeda estadunidense, violasse as regulamentações desse país com respeito a um estado identificado como terrorista." E com a maior impertinência demandava: "Espero o resultado das investigações... se a UBS (União de Bancos Suíços) é achado culpado de violar as restrições dos Estados Unidos sobre as transações que implicam a regimes terroristas tais como o de Cuba, é de importância vital que os responsáveis sejam multados de maneira apropriada."
Enquanto Cuba analisava de maneira serena e reflexiva todas as alternativas, choviam as mentiras e infâmias sobre esse tema. No dia 3 de junho, El Nuevo Herald arremetia contra o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina), acusando-os de inflar suas estimativas de remessas familiares dos Estados Unidos para Cuba, com o qual, segundo eles, tendia-se a justificar a procedência legal dos $3,9 bilhões. Sobre essa questão diziam: "Todo esse andaime é o que encobrem o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a Cepal com as cifras infladas de remessas que lhe atribuem à comunidade cubano-americana. Tem que ser esclarecido. Ademais, o escândalo da lavagem de dinheiro reflete que Cuba é refúgio confidencial para o dinheiro de terroristas e malversadores. Temos que revelá-lo." Com o grosseiro sensacionalismo característico da canalha de Miami, sob o título de "Procuram nos Estados Unidos vínculos com fundos de Cuba", em 23 de julho em El Nuevo Herald se publicava um artigo que entre outras questões informava:
"A operação foi feita através da União de Bancos Suíços (UBS).
Aparentemente, eram tantas e tão grosseiras as mentiras que diariamente eram publicadas em Miami sobre esse assunto, que apesar da proverbial discrição dos bancos suíços, a instituição bancária, vinculada com esse caso, sentiu-se na obrigação de negar publicamente qualquer acusação de lavagem de dinheiro e um telex da agência France Presse publicado em Zurich em 25 de julho informava o seguinte:
"Segundo o porta-voz da UBS, a Reserva Federal dos Estados Unidos (fed) e a Comissão Federal Suíça de Bancos (CFB) já examinaram esse caso." Tais declarações não impediram que os mafiosos de Miami e seus órgãos de imprensa continuaram com sua pérfida campanha, e a 16 de setembro Ileana Ros-Lehtinen fazia novas declarações: "’Isto se vai prolongar’ comentou a El Nuevo Herald a congressista. ‘Há pelo menos três pessoas que tiveram que ver com essa manipulação de fundos e esta-se a olhar para outros bancos’, acrescentou." Vejam a clara ameaça quando diz "esta-se a olhar para outros bancos". Nessa data solicitei ao Banco Central de Cuba que acelerasse os trabalhos sobre esse tema, e indiquei –assinala o Comandante- que a análise se concentrasse na possibilidade de utilizar o peso conversível como substituto do dólar, de tal maneira que o país não fosse vulnerável perante as novas pressões da máfia de Miami e do governo dos Estados Unidos.
Em data tão recente como 9 de outubro, exatamente 11 dias antes de minha queda acidental, soube-se de um discurso proferido por Daniel W. Fisk, subsecretário para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ante a Associação de Veteranos Cubano-americanos, em que, com um cinismo sem limites, gabava-se do suposto sucesso das criminosas medidas adotadas pelo governo de Bush contra nosso povo. Entre outras coisas, dizia:
[...] "Como muitos de vocês conhecem, para continuar reduzindo o fluxo de recursos que permitem a Castro manter reprimido o povo cubano, temos fortalecido nossa política relativamente às remessas, os pacotes de doações e as viagens familiares à ilha. Essas entradas teriam gerado uma estimativa de $1,5 bilhões anuais em fundos e bens enviados a Cuba pelos que vivem fora da ilha. [...] "privamos ao governo de Castro de mais de $100 milhões de dólares em moeda dura. Esses são 100 milhões menos que tem Castro para reprimir seu povo e manter seu punho no poder. "Além disso, quando se projetam essas cifras a um ano natural completo, estimamos uma perda anual líquida para o regime de $375 milhões, e só de reduzir as viagens. "Quando se computa a diminuição de todos os fluxos de receitas, estimamos que lhe negamos ao regime pelo menos 500 milhões de dólares que Castro tivesse empregado em apoiar seu aparelho de segurança e inteligência." Entre tanta arrogância imperial e tanta fanfarronice, tinha um parágrafo em especial que requeria duma cuidadosa consideração. Dizia o senhor Fisk: "Estabelecemos um Grupo de Perseguição de Ativos Cubanos formado por funcionários responsáveis do cumprimento das leis de várias agências para investigar novas vias para os movimentos de divisas para e desde Cuba, e detê--los."
Esse cronograma foi se executando e nestes momentos já estamos em posição de anunciar oficialmente que, a partir de 8 de novembro, o peso conversível começará a circular em substituição do dólar dos Estados Unidos em todo o território nacional. A primeira coisa que devemos esclarecer é que isto não significa que a posse de dólares ou doutra moeda livremente conversível vá ser penalizada. A população pode ter em seu poder qualquer quantidade de dólares sem que isso constitua uma violação da lei. Do que se trata é de que, a partir da data mencionada, 8 de novembro, o dólar não será aceite em nossos comércios em divisas, os quais só receberão pesos cubanos conversíveis. Aquele que tiver moeda livremente conversível, seja um cubano ou um visitante estrangeiro, a partir de 8 de novembro, para fazer suas compras no território nacional, na rede de estabelecimentos que operam em divisas, deverá em primeiro lugar adquirir pesos conversíveis nas Casas de Câmbio (CADECAS), nas sucursais bancárias, e inclusive em um número importante das próprias lojas que vendem em divisas, que também oferecerão este serviço. Como questão adicional decidiu-se que a partir da data indicada, 8 de novembro, todo aquele que deseje adquirir pesos conversíveis com dólares em dinheiro, deverá pagar um gravame de 10 por cento. Esse gravame servirá como compensação aos riscos e custos que origina a manipulação de dólares dos Estados Unidos à economia cubana, como conseqüência das mencionadas medidas do governo dos Estados Unidos, que tentam impedir ao nosso pais a utilização dos dolares em dinheiro para fins comerciais normais.
Aquele que usualmente recebe fundos do exterior, dispõe desde hoje de duas semanas para coordenar, se assim o quiser, com os seus familiares, a fim de que no futuro não lhe enviem suas remessas em dólares, mas em outras moedas como euros, dólares canadenses, libras esterlinas ou francos suíços, às quais não lhes será aplicado o gravame de 10 por cento.
Reitero que esta não é uma ação que tem o fim de arrecadar divisas mediante um gravame, senão uma resposta a uma ameaça real por uma medida criminosa do governo dos Estados Unidos e uma campanha descarada para atemorizar os bancos estrangeiros. Também desejo frisar que todas as contas bancárias em dólares, em pesos conversíveis ou em qualquer outra moeda, estão totalmente garantidas e, como já assinalei, não se lhes aplicará nenhum gravame os fundos depositados nos bancos, com independência da data em que os clientes desejem tira-los, sem limites de nenhum tipo. Talvez, para uma compreensão mais fácil do tema, Randy poderia ler a resolução do Banco Central mediante a qual começa a vigorar esta medida, e a partir daí poderiam ser feitos alguns comentários esclarecedores. Como já expliquei, a primeira coisa que estabelece a resolução é que a população pode manter em seu poder, sem restrições de nenhum tipo, como até esta altura, dólares dos Estados Unidos ou qualquer outra moeda conversível em qualquer quantidade. Entre o dia de amanhã e o dia 7 de novembro, tudo se mantém como até ao presente e se continuarão aceitando dólares nas lojas; àquele que deseje trocar seus dólares por pesos conversíveis não se lhe aplicará o gravame de 10 por cento, e se fará sobre a base de um por um; podem-se abrir novos depósitos nas contas existentes, e esses fundos podem ser tirados no futuro no momento que se deseje, em pesos conversíveis à taxa de um por um, ou em dólares, à vontade do cliente, sem estar sujeito a nenhum tipo de gravame.
Com o fim de facilitar a troca de moedas, esta será feita a partir do dia 28 nas Casas de Câmbio (CADECAS), sucursais bancárias, hotéis e lojas, com as precisões que já Randy leu na resolução. A resolução também estabelece que às transações que sejam feitas com cartões de crédito ou débito não se lhes aplica nenhum gravame, independentemente da moeda em que sejam feitas, incluído o dólar. A explicação é que, quando a transação é com um cartão de débito ou de crédito, não está envolvido o movimento de dinheiro, de maneira que não existem custos e riscos ligados à manipulação de notas de dólares em dinheiro.
É claro que, devemos esclarecer na mesma ordem de idéias que àquele que deseje comprar pesos cubanos nas CADECAS, com dólares dos Estados Unidos também lhe será aplicado o gravame de 10 por cento, já que estaríamos recebendo dólares em dinheiro. Desejo esclarecer
também que esta medida não impedirá nem travará
em modo algum as garantias outorgadas por instituições financeiras
cubanas a entidades estrangeiras, nem a disponibilidade de fundos em moeda
livremente conversível para honrar suas obrigações.
Isto tem apenas um alcance interno e só estamos ordenando o relativo
à circulação monetária dentro do território
nacional e protegendo-nos de uma agressão econômica externa.
No passado 10 de maio, um telex da BBC informava de uma multa aplicada pela Reserva Federal dos Estados Unidos a um banco suíço, aduzindo a suposta violação das sanções estadunidenses contra a Líbia, o Irão, a Iugoslávia e Cuba. O banco suíço era acusado de aceitar papel moeda de dólares dos Estados Unidos ou enviá-los a países que estivessem sob o regime de sanção do governo dos Estados Unidos. Uns dias depois, a agência NOTIMEX informava sobre os depoimentos do bandido Otto Reich, onde fazia referência às recentes medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, indicava que algumas estavam sendo implementadas e outras estavam em processo. Concretamente disse, em tom ameaçador: "Muitas delas requerem de estabelecimento de regulamentos e de certos aspectos burocráticos, e nesse sentido estão trabalhando os advogados e outros funcionários do governo e daqui a pouco serão implementadas muitas outras mais".
Com esse propósito malvado, o Governo dos Estados Unidos pressiona os bancos estrangeiros para que não recebam de Cuba fundos, cuja origem é absolutamente legal e honesta. Ademais, promove a publicação, na imprensa da máfia terrorista de Miami, da repugnante infâmia de que tais fundos poderiam estar inclusive relacionados com atividades que são combatidas energicamente por nosso país, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas." Prossegue a nota publicada em Granma: "Essas ações resultam mais indignas caso ter-se em conta que a única razão pela qual os turistas que visitam Cuba têm que utilizar dinheiro, é que o bloqueio ianque lhes impede utilizar cartões de créditos ou travel check emitidos por bancos ou outras entidades financeiras norte-americanas que controlam esse mercado. Além disso, só lhe foi outorgada licença a empresa norte-americana para tramitar envios de remessas a Cuba por via bancária, de tal sorte que atualmente os cubanos residentes no estrangeiro são submetidos a um verdadeiro via crucis para fazer chegar a ajuda econômica a seu familiares, que afinal estão obrigados, na maioria dos casos, a enviá-la em dinheiro. A mesma perseguição e ameaça que constantemente se mantém contra os que enviam dinheiro a seus familiares em Cuba, desde os Estados Unidos, contribui a que eles prefiram muitas vezes fazê-lo em dinheiro para não deixar marcas documentares que os submetam à perseguição das autoridades norte-americanas e às ações violentas de terroristas residentes em Miami. "Não pode ser concebida uma fórmula mais cínica e perversa —continuava a nota de Granma—: Estados Unidos com seu criminoso bloqueio obriga a que os envios de remessas e os pagamentos de visitantes estrangeiros em Cuba tenham que ser feito em dinheiro, e agora, com estúpidas pressões, tenta impedir que Cuba possa utilizar esse dinheiro para pagar por suas importações." E findava afirmando: "Todas suas armadilhas estão condenadas ao fracasso. Com a firmeza e serenidade de sempre, nosso povo heróico lutará e vencerá perante um inimigo poderoso, mas ruim e covarde, verdadeiramente desprezível por sua política de genocídio e seus métodos nazista-fascistas." Sobre essas considerações poderíamos acrescentar que no período de sete anos a que se faz alusão Cuba realizou importações por mais de $30.854 milhões de dólares, de tal maneira que os $3,9 bilhões que segundo se diz foram remetidos ao banco suíço em questão e transferidos a outros beneficiários, são aproximadamente 13 por cento do total de pagamentos realizados por Cuba nesse período para encarar o custo de suas importações, das quais uma parte substancial a constituem suas necessidades de alimentos, combustíveis, medicamentos ou matérias-primas para sua produção, outros produtos intermédios para nossas indústrias, artigos que se vendem na rede de lojas em divisas, etc.
"Estados Unidos deve investigar a origem e o destino de $3,9 bilhões aproximadamente que o governo de Cuba ‘lavou’ através de um programa internacional da Reserva Federal, declararam ontem os congressistas da Flórida Ros-Lehtinen e Lincoln Diaz-Balart em cartas enviadas à Reserva Federal e à Comissão de Finanças da Câmara."
Num comunicado de imprensa de 22 de junho, Ileana Ros-Lehtinen, "A loba feroz", com sua acostumada histeria, dizia: "Estou comovida com que um banco ao qual lhe foi dada a responsabilidade crucial de distribuir a nova moeda estadunidense, violasse as regulamentações desse país com respeito a um estado identificado como terrorista." E com a maior impertinência demandava: "Espero o resultado das investigações... se a UBS (União de Bancos Suíços) é achado culpado de violar as restrições dos Estados Unidos sobre as transações que implicam a regimes terroristas tais como o de Cuba, é de importância vital que os responsáveis sejam multados de maneira apropriada."
Enquanto Cuba analisava de maneira serena e reflexiva todas as alternativas, choviam as mentiras e infâmias sobre esse tema. No dia 3 de junho, El Nuevo Herald arremetia contra o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina), acusando-os de inflar suas estimativas de remessas familiares dos Estados Unidos para Cuba, com o qual, segundo eles, tendia-se a justificar a procedência legal dos $3,9 bilhões. Sobre essa questão diziam: "Todo esse andaime é o que encobrem o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a Cepal com as cifras infladas de remessas que lhe atribuem à comunidade cubano-americana. Tem que ser esclarecido. Ademais, o escândalo da lavagem de dinheiro reflete que Cuba é refúgio confidencial para o dinheiro de terroristas e malversadores. Temos que revelá-lo." Com o grosseiro sensacionalismo característico da canalha de Miami, sob o título de "Procuram nos Estados Unidos vínculos com fundos de Cuba", em 23 de julho em El Nuevo Herald se publicava um artigo que entre outras questões informava:
"A operação foi feita através da União de Bancos Suíços (UBS).
Aparentemente, eram tantas e tão grosseiras as mentiras que diariamente eram publicadas em Miami sobre esse assunto, que apesar da proverbial discrição dos bancos suíços, a instituição bancária, vinculada com esse caso, sentiu-se na obrigação de negar publicamente qualquer acusação de lavagem de dinheiro e um telex da agência France Presse publicado em Zurich em 25 de julho informava o seguinte:
"Segundo o porta-voz da UBS, a Reserva Federal dos Estados Unidos (fed) e a Comissão Federal Suíça de Bancos (CFB) já examinaram esse caso." Tais declarações não impediram que os mafiosos de Miami e seus órgãos de imprensa continuaram com sua pérfida campanha, e a 16 de setembro Ileana Ros-Lehtinen fazia novas declarações: "’Isto se vai prolongar’ comentou a El Nuevo Herald a congressista. ‘Há pelo menos três pessoas que tiveram que ver com essa manipulação de fundos e esta-se a olhar para outros bancos’, acrescentou." Vejam a clara ameaça quando diz "esta-se a olhar para outros bancos". Nessa data solicitei ao Banco Central de Cuba que acelerasse os trabalhos sobre esse tema, e indiquei –assinala o Comandante- que a análise se concentrasse na possibilidade de utilizar o peso conversível como substituto do dólar, de tal maneira que o país não fosse vulnerável perante as novas pressões da máfia de Miami e do governo dos Estados Unidos.
Em data tão recente como 9 de outubro, exatamente 11 dias antes de minha queda acidental, soube-se de um discurso proferido por Daniel W. Fisk, subsecretário para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ante a Associação de Veteranos Cubano-americanos, em que, com um cinismo sem limites, gabava-se do suposto sucesso das criminosas medidas adotadas pelo governo de Bush contra nosso povo. Entre outras coisas, dizia:
[...] "Como muitos de vocês conhecem, para continuar reduzindo o fluxo de recursos que permitem a Castro manter reprimido o povo cubano, temos fortalecido nossa política relativamente às remessas, os pacotes de doações e as viagens familiares à ilha. Essas entradas teriam gerado uma estimativa de $1,5 bilhões anuais em fundos e bens enviados a Cuba pelos que vivem fora da ilha. [...] "privamos ao governo de Castro de mais de $100 milhões de dólares em moeda dura. Esses são 100 milhões menos que tem Castro para reprimir seu povo e manter seu punho no poder. "Além disso, quando se projetam essas cifras a um ano natural completo, estimamos uma perda anual líquida para o regime de $375 milhões, e só de reduzir as viagens. "Quando se computa a diminuição de todos os fluxos de receitas, estimamos que lhe negamos ao regime pelo menos 500 milhões de dólares que Castro tivesse empregado em apoiar seu aparelho de segurança e inteligência." Entre tanta arrogância imperial e tanta fanfarronice, tinha um parágrafo em especial que requeria duma cuidadosa consideração. Dizia o senhor Fisk: "Estabelecemos um Grupo de Perseguição de Ativos Cubanos formado por funcionários responsáveis do cumprimento das leis de várias agências para investigar novas vias para os movimentos de divisas para e desde Cuba, e detê--los."
Esse cronograma foi se executando e nestes momentos já estamos em posição de anunciar oficialmente que, a partir de 8 de novembro, o peso conversível começará a circular em substituição do dólar dos Estados Unidos em todo o território nacional. A primeira coisa que devemos esclarecer é que isto não significa que a posse de dólares ou doutra moeda livremente conversível vá ser penalizada. A população pode ter em seu poder qualquer quantidade de dólares sem que isso constitua uma violação da lei. Do que se trata é de que, a partir da data mencionada, 8 de novembro, o dólar não será aceite em nossos comércios em divisas, os quais só receberão pesos cubanos conversíveis. Aquele que tiver moeda livremente conversível, seja um cubano ou um visitante estrangeiro, a partir de 8 de novembro, para fazer suas compras no território nacional, na rede de estabelecimentos que operam em divisas, deverá em primeiro lugar adquirir pesos conversíveis nas Casas de Câmbio (CADECAS), nas sucursais bancárias, e inclusive em um número importante das próprias lojas que vendem em divisas, que também oferecerão este serviço. Como questão adicional decidiu-se que a partir da data indicada, 8 de novembro, todo aquele que deseje adquirir pesos conversíveis com dólares em dinheiro, deverá pagar um gravame de 10 por cento. Esse gravame servirá como compensação aos riscos e custos que origina a manipulação de dólares dos Estados Unidos à economia cubana, como conseqüência das mencionadas medidas do governo dos Estados Unidos, que tentam impedir ao nosso pais a utilização dos dolares em dinheiro para fins comerciais normais.
Aquele que usualmente recebe fundos do exterior, dispõe desde hoje de duas semanas para coordenar, se assim o quiser, com os seus familiares, a fim de que no futuro não lhe enviem suas remessas em dólares, mas em outras moedas como euros, dólares canadenses, libras esterlinas ou francos suíços, às quais não lhes será aplicado o gravame de 10 por cento.
Reitero que esta não é uma ação que tem o fim de arrecadar divisas mediante um gravame, senão uma resposta a uma ameaça real por uma medida criminosa do governo dos Estados Unidos e uma campanha descarada para atemorizar os bancos estrangeiros. Também desejo frisar que todas as contas bancárias em dólares, em pesos conversíveis ou em qualquer outra moeda, estão totalmente garantidas e, como já assinalei, não se lhes aplicará nenhum gravame os fundos depositados nos bancos, com independência da data em que os clientes desejem tira-los, sem limites de nenhum tipo. Talvez, para uma compreensão mais fácil do tema, Randy poderia ler a resolução do Banco Central mediante a qual começa a vigorar esta medida, e a partir daí poderiam ser feitos alguns comentários esclarecedores. Como já expliquei, a primeira coisa que estabelece a resolução é que a população pode manter em seu poder, sem restrições de nenhum tipo, como até esta altura, dólares dos Estados Unidos ou qualquer outra moeda conversível em qualquer quantidade. Entre o dia de amanhã e o dia 7 de novembro, tudo se mantém como até ao presente e se continuarão aceitando dólares nas lojas; àquele que deseje trocar seus dólares por pesos conversíveis não se lhe aplicará o gravame de 10 por cento, e se fará sobre a base de um por um; podem-se abrir novos depósitos nas contas existentes, e esses fundos podem ser tirados no futuro no momento que se deseje, em pesos conversíveis à taxa de um por um, ou em dólares, à vontade do cliente, sem estar sujeito a nenhum tipo de gravame.
Com o fim de facilitar a troca de moedas, esta será feita a partir do dia 28 nas Casas de Câmbio (CADECAS), sucursais bancárias, hotéis e lojas, com as precisões que já Randy leu na resolução. A resolução também estabelece que às transações que sejam feitas com cartões de crédito ou débito não se lhes aplica nenhum gravame, independentemente da moeda em que sejam feitas, incluído o dólar. A explicação é que, quando a transação é com um cartão de débito ou de crédito, não está envolvido o movimento de dinheiro, de maneira que não existem custos e riscos ligados à manipulação de notas de dólares em dinheiro.
É claro que, devemos esclarecer na mesma ordem de idéias que àquele que deseje comprar pesos cubanos nas CADECAS, com dólares dos Estados Unidos também lhe será aplicado o gravame de 10 por cento, já que estaríamos recebendo dólares em dinheiro. Desejo
esclarecer também que esta medida não impedirá nem
travará em modo algum as garantias outorgadas por instituições
financeiras cubanas a entidades estrangeiras, nem a disponibilidade de
fundos em moeda livremente conversível para honrar suas obrigações.
Isto tem apenas um alcance interno e só estamos ordenando o relativo
à circulação monetária dentro do território
nacional e protegendo-nos de uma agressão econômica externa.
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